Inovação Jurídica: Direito, Digital e Design na prática

Neste artigo abordamos as tendências atuais em três dimensões: Direito, Digital e Design, com uma breve comparação da Europa ao Brasil, destacando a importância da tecnologia, multidisciplinaridade e a adoção de uma cultura inovadora.

Introdução

Os profissionais do direito enfrentam um cenário de constante transformação, onde a eficiência, os processos ágeis, a linguagem simples e a personalização dos serviços se tornam cada vez mais necessárias. Dentro desse contexto, a inovação chega não só como uma tendência, mas como uma exigência de mercado, especialmente para profissionais que buscam se destacar e sair do óbvio.

Neste artigo abordamos as tendências atuais em três dimensões: Direito, Digital e Design, com uma breve comparação da Europa ao Brasil, destacando a importância da tecnologia, multidisciplinaridade e a adoção de uma cultura inovadora.

Desenvolvimento da inovação jurídica no Brasil

A inovação jurídica, no Brasil e no mundo, tem sido constantemente influenciada pela tecnologia e pela transformação digital.  O setor jurídico foi um dos últimos a abraçar essas transformações, mas, com o tempo,  ficou nítido que o mercado tinha novas demandas e necessidades, visto que a tecnologia afeta o comportamento dos consumidores, requerendo serviços mais ágeis e personalizados.

Com essa metamorfose, saímos de um jurídico muito manual, braçal e maçante, para um muito mais inteligente, ágil e eficaz, já que agora os profissionais do direito estão cada vez mais livres para usar sua capacidade técnica em atividades que realmente demandam sua expertise.

Os clientes, por sua vez, estão exigindo serviços melhores,  mais acessíveis e mais rápidos. A experiência mais personalizada e centrada no usuário final. Estamos vivendo uma era em que até as transações B2B querem a mesma jornada e tratamento fluidos das jornadas B2C.

Cultura de inovação e educação

Inovar é muito mais que  adotar novas tecnologias dentro dos setores de operação jurídica, precisamos gerenciar a cultura e mudar o mindset das organizações.

No webinar ‘’Da Europa ao Brasil | Tendências jurídicas em três dimensões’’, a Gestora do Attix da Mattos Filho, Mariane Cortez,  menciona que o processo de incorporação de novas tecnologias seguem uma razão de 70/30: 70% cultura e 30% tecnologia. Ela enfatiza que podemos adotar a melhor tecnologia do mundo, mas se não houver uma ‘’dor’’ a ser tratada, se ninguém estruturar um processo de treinamento para quem irá usar essas  ferramentas, esse investimento será inócuo. É preciso haver uma cultura de inovação, mais do que a incorporação desenfreada de ferramentas digitais.

Neste sentido, notamos que o desenvolvimento de uma cultura que valoriza inovações  é tão importante quanto a tecnologia em si, sendo cada vez mais necessário uma liderança focada nesse processo. Pessoas capacitadas para lidar com a resistência ao novo, compromissadas com a educação e o treinamento contínuo.

Essa  cultura de inovação enfatiza a importância de uma mentalidade aberta, pronta para experimentar e adaptar-se.

Deixamos aqui algumas dicas para implementar uma cultura eficiente em escritórios e departamentos jurídicos:

  1. Liderança engajada
  2. Cultura de experimentação
  3. Educação e treinamentos contínuos
  4. Tecnologia e ferramentas adequadas
  5. Comunicação efetiva
  6. Medir o processo e ajustar

Multidisciplinariedade

O avanço da multidisciplinaridade no mercado jurídico ressalta o quão fundamental é a colaboração entre diferentes áreas do conhecimento para uma entrega que atenda as necessidades do cenário atual, além de um serviço mais personalizado.

Com base nesse entendimento, a  KPMG realizou uma pesquisa na qual afirma que em até 2025  metade das equipes jurídicas não serão mais compostas apenas por advogados. Com o aumento da tecnologia, novas demandas e exigências de trabalho, ‘’utilização de soluções automatizadas, chatbots e outras formas de serviços jurídicos produzidos aumentará, e estes necessitarão do apoio de advogados, bem como de uma força de trabalho mais multidisciplinar com diferentes conjuntos de competências. ‘’

A adaptação e desenvolvimento de habilidades, destacando o uso de ferramentas como o chat GPT, softwares de análise de dados , legal design, metodologias ágeis, legal ops e entre outras necessitam da combinação de conhecimentos jurídicos com habilidades em áreas.

Os especialistas Isabela Godoy, Mariane Cortez e Ricardo Freitas no webinar da Europa ao Brasil: Tendências jurídicas em três dimensões destacam a importância da cultura de inovação e da educação para adaptar-se às novas demandas do mercado. Eles enfatizam a necessidade dos profissionais do direito entenderem as ferramentas disponíveis para oferecer serviços jurídicos mais eficientes e de qualidade.

Visual Law 

O Visual Law está revolucionando a maneira como as informações jurídicas são comunicadas, tornando o direito mais acessível e compreensível. Essa abordagem não apenas melhora a experiência do cliente, como contribui para a prevenção de conflitos e facilita o entendimento de questões jurídicas complexas, destacando a importância de adaptar a comunicação ao público-alvo.

Em pesquisa feita pelo VisuLaw, 77% dos magistrados acreditam que o uso de elementos visuais facilitam o entendimento, desde que usados com moderação.

O visual law e legal design, podem ser aplicados de diferentes formas como em: Infográficos, fluxogramas, ícones, vídeos, animações, recursos de gamificação, storyboards e tipografia são alguns dos recursos visuais utilizados no Visual Law.

Análise de dados

No mesmo webinar citado anteriormente, temos duas falas muito importantes para ressaltar sobre a análise de dados:

Isabela Godoy, advogada e gestora de comunicação no Dhub, enfatiza que a jurimetria é muito importante para que se tenha uma capacidade de análise de dados que vai muito além de saber montar uma tabela no excel. Mariane Cortez complementa nos dizendo que saber ler dados é tão importante quanto ter o conhecimento jurídico para a entrega de bons trabalhos.

Com esses apontamentos, fica nítido que a análise de dados, será tão importante quanto a interpretação e leitura dos termos legais, permitindo uma tomada de decisão mais informada e estratégica, reforçando a necessidade de integrar habilidades analíticas ao conhecimento jurídico tradicional.

Em nosso artigo: ‘’Transformação digital no direito | O poder da ciência de dados para operadores do direito’’, reforçamos qual as habilidades necessárias que podem ser desenvolvidas ou  aprimoradas para profissionais que queiram seguir nessa área.

Brasil x Europa 

Durante o webinário sobre tendências, os palestrantes nos surpreenderam com observações sobre o cenário jurídico europeu, destacando o pioneirismo tecnológico e alto preparo dos brasileiros em comparação.

Ricardo e Isabela destacaram como o grande volume de dados e a transparência do judiciário brasileiro fizeram do Brasil solo fértil para o nascimento de soluções em jurimetria, e como devemos aproveitar o privilégio dessas informações para tomar decisões mais assertivas.

Além disso, também foi exaltado o preparo do mercado jurídico e estudantes brasileiros no uso de novas tecnologias. Enquanto muitos países europeus resistem à implementação de novas ferramentas e abordagens, no Brasil encontramos um público de experts mais preparados para essa constante transformação.

Conclusão

Inovar não está diretamente ligado apenas a adotar novas tecnologias, mas em cultivar uma mentalidade aberta e adaptável.  A inovação é um processo contínuo. Cabe a nós, profissionais da área, abraçar essas mudanças com uma mente aberta e um compromisso com a mudança.  A capacidade de se adaptar, integrar novas ferramentas e abordagens, e trabalhar de forma multidisciplinar não apenas define o futuro da prática jurídica, mas também garante que possamos atender às demandas de um mercado em constante evolução.

Quer mostrar que você também está à frente da Europa, com uma equipe capacitada e uma cultura de transformação? Entre em contato com nossa equipe que nós cuidamos daqueles 30% de tecnologia que faltam.

Leia mais em nosso Blog.

Por: Gabriela Lopes 

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